Após o arquivamento do pedido de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Caso Orelha, o deputado estadual Mário Motta (PSD), autor da proposta, publicou neste domingo (28) um vídeo nas redes sociais em que faz um desabafo sobre a decisão e afirma estar “emocionado e abatido” com o desfecho.
No vídeo, o parlamentar diz que preferiu gravar a manifestação depois de refletir sobre os acontecimentos e afirma ter tomado cuidado com as palavras para evitar interpretações equivocadas ou eventuais questionamentos jurídicos.
“Estou emocionado e abatido, porque não é fácil lidar com situações como essa, mas não quero me acostumar. Prefiro sofrer do que perder a sensibilidade e o chamamento da sociedade e do povo”, afirmou.
De 15 para 13 assinaturas
Mário Motta relembrou que o pedido de instalação da CPI chegou a reunir 15 assinaturas de deputados estaduais. No entanto, segundo ele, os parlamentares Jessé Lopes (PL) e Rodrigo Minotto (PDT) retiraram posteriormente seus apoios, fazendo com que o requerimento retornasse ao número mínimo de 13 assinaturas, insuficiente para a instalação da comissão, que exige 14 apoios regimentais.
O deputado ressaltou que a retirada das assinaturas é um direito previsto nas normas da Assembleia Legislativa e afirmou respeitar essa prerrogativa.
Ao mesmo tempo, fez questão de esclarecer que não participou do processo que levou ao arquivamento da proposta.
“Faço questão de deixar muito claro que eu não ajudei nesse processo de arquivamento. Ao contrário, fiquei decepcionado com pessoas com quem mantenho uma boa relação.”
Nova CPI não está descartada, mas depende de avaliação
Durante a manifestação, Mário Motta afirmou que irá conversar com sua equipe para definir os próximos passos. Segundo ele, apresentar imediatamente um novo pedido de CPI apenas para tentar manter as assinaturas não seria a melhor alternativa.
“Abrir uma nova CPI apenas para manter as 13 assinaturas não seria honesto com a população que quer respostas.”
Caso mobilizou o país
A morte do cão comunitário Orelha, ocorrida em janeiro deste ano, provocou grande repercussão nacional, manifestações em diversas cidades e impulsionou debates sobre a proteção animal. O caso também deu origem à chamada Lei Orelha, aprovada recentemente pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina, que endurece punições administrativas relacionadas aos maus-tratos contra animais.
Deputados que mantiveram apoio ao pedido de CPI
Segundo Mário Motta, permaneceram apoiando a criação da comissão os seguintes parlamentares:
- Mário Motta (PSD)
- Marcius Machado (PL)
- Altair Silva (PP)
- Napoleão Bernardes (PSD)
- Nilso Berlanda (PSD)
- Sérgio Guimarães (União Brasil)
- Tiago Zilli (MDB)
- Volnei Weber (MDB)
- Luciane Carminatti (PT)
- Fabiano da Luz (PT)
- Padre Pedro Baldissera (PT)
- Neodi Saretta (PT)
- Marquito (PSOL)
O deputado informou que, em um segundo momento, pretende divulgar uma cronologia completa de todos os acontecimentos relacionados à tentativa de criação da CPI.




